Sou um apaixonado por cinema. Paixão que surgiu na infância, entre o final dos anos 50 e começo dos 60, quando a única opção de lazer nas tardes de domingo era a matinê, a sessão das duas da tarde, único dia em que havia exibição nesse horário. Os filmes das matinês, normalmente de ação, principalmente os faroestes (aportuguesamento do inglês far west) eram sempre precedidos por um seriado, apresentado em episódios, e que terminava invariavelmente com o herói ameaçado por um perigo mortal, do qual se livrava no início do capítulo seguinte, mas que deixava todo mundo ansioso para saber como aconteceria. Essas matinês foram o começo de uma relação que iria fortalecer-se no decorrer do tempo, através do contínuo descobrimento dos inúmeros mundos criados pelos roteiristas, diretores, atores, atrizes, técnicos. Foi intensificada pelo constante surpreender-se com as situações mostradas na tela grande, com o som envolvendo a plateia, sentada no escuro, de olhos pregados nas imagens, vivendo a história.
Um dos temas que sempre despertaram a minha atenção nos filmes é o que trabalha a ideia da segunda chance. É um assunto recorrente no cinema, principalmente no americano. São inúmeros filmes, alguns que se tornaram clássicos, apresentando personagens que, por circunstâncias diversas, têm uma oportunidade de mudar a própria vida. São covardes que se revelam heróis, traidores que se redimem, assassinos que salvam alguém, pessoas humildes que enfrentam poderosos, gente de caráter dúbio ou até sem caráter que acaba tendo atitudes redentoras, modificando e, de uma certa maneira, justificando a própria existência. Como a arte imita a vida (aliás, hoje não se sabe se isto ainda é válido, uma vez que a vida virtual está sendo adotada por muita gente) são inúmeras as situações que podem ser observadas ao nosso redor. Exemplos: gente que mergulhou nas drogas e dá a volta por cima, bandidos que abandonam o crime e voltam a agir dentro da lei, constantemente surge a oportunidade de dar uma guinada positiva na vida.
Daqui a poucos dias, em 7 de outubro, os brasileiros terão, como acontece de dois em dois anos, uma segunda chance para escolher quem irá dirigir os municípios do país. Neste ano para prefeito, em 2014 para presidente, cada um de nós terá a oportunidade de escolher aquele que irá liderar a cidade ou o país. Por que segunda chance? Simples: se estivermos satisfeitos com prefeito e vereadores, poderemos reconduzi-los aos cargos. Caso contrário, a escolha deverá recair sobre novos nomes, na busca de pessoas mais competentes para o trabalho. Por isso é fundamental que o voto seja consciente, baseado na análise da atuação de quem já ocupa um cargo eletivo, ou no conhecimento do caráter daquele que se candidata pela primeira vez. Somente assim poderá ser evitado o acesso a posições importantes de pessoas sem condições técnicas, morais e/ou éticas. Pense: não é todo dia que a vida lhe oferece uma segunda chance. Aproveite-a, e vote com consciência.

